quarta-feira, 8 de janeiro de 2020


Emprestados do Benfica 2019/20 - O balanço

Benfica. Diogo Gonçalves.
Diogo Gonçalves pode ser uma opção válida 
O Benfica tem atualmente 18 jogadores dos seus quadros na condição de emprestados a outros clubes. Um número que tem vindo a ser reduzido progressivamente já que há três anos eram 41, na penúltima época eram 31 e na época passada apenas 22. Desacelerou a redução do número de emprestados e deve mesmo estabilizar mais ou menos nos 20 jogadores, tendo em conta que será necessário manter sob controlo alguns dos jovens jogadores saídos do Seixal.
Os atletas emprestados representam equipas dos seguintes campeonatos: Liga NOS (5), LigaPro (2), Campeonato de Portugal (1), Inglaterra (4 Championship), México (2), Argentina (1), Espanha (1), França (1) e Holanda (1).
De uma forma geral podemos dividir os atletas nos seguintes grupos:
  • Jogadores da formação: Alex Pinto, António Ribeiro, Bruno Varela, Alfa Semedo, Diogo Gonçalves, Gustavo Schneider, João Victor, José Gomes e Pedro Pereira.
  • Apostas de baixo investimento: Heriberto Tavares e Igor Rodrigues, .
  • Apostas de investimento médio/alto: Chris Willock, Cristián Lema, Facundo Ferreyra, Filip Krovinovic, Germán Conti, Jhonder Cádiz e Óscar Benitez.
Agrupei os jogadores da seguinte forma em termos de perspetivas futuras:
  • Potencial para a equipa principal: Diogo Gonçalves e Filip Krovinovic.
  • Possibilidade de dar algum retorno financeiro: Alfa Semedo, Bruno Varela, Cristián Lema, Facundo Ferreyra, Germán Conti, Heriberto Tavares, Jhonder Cádiz e Pedro Pereira.
  • Jogadores para o eterno carrossel: Alex Pinto, António Ribeiro, João Victor e Óscar Benitez.
  • Quero ver melhor: Chris Willock, Gustavo Schneider, Igor Rodrigues e José Gomes.
Benfica. Filip Krovinovic
Há espaço na Luz para um Krovinovic focado
Relativamente a análises anteriores há claramente uma queda nos índices de qualidade no lote de jogadores emprestados. Se num passado recente houve um conjunto de jogadores cujo empréstimo foi claramente para os valorizar, alguns deles já com o destino traçado, atualmente não existem jogadores nessa condição. Estou a falar de casos como os de Raúl Jiménez, Talisca, Luka Jovic ou Cristante.
Deste conjunto de jogadores apenas consigo imaginar dois deles a integrar o plantel da equipa principal, e mesmo assim com muitas condicionantes. Diogo Gonçalves pode ser uma boa opção para compor o plantel e eventualmente uma adaptação a lateral direito. Já Krovinovic, se arrumar as ideias e retomar o rumo certo, será sempre uma opção de qualidade desde que, além da cabeça, o físico se apresente também totalmente recuperado.
Considero que desta lista alguns jogadores poderão dar ainda algum retorno financeiro. Uns porque têm margem e qualidade para evoluírem como o Alfa Semedo, o Germán Conti, o Heriberto Tavares ou Pedro Pereira. Outros pelo contexto, com empréstimos que podem ser bem-sucedidos como o Bruno Varela, o Cristián Lema e o Jhonder Cádiz. Por fim o Facundo Ferreyra que continua a ser um nome com mercado.
Na lista dos que acho que nunca vestirão a camisola da equipa principal do Benfica estão os nomes de Alex Pinto, António Ribeiro, João Victor e Óscar Benitez. Se no futuro algum dos três jovens lá chegar, além de surpreendido, ficaria muito satisfeito.
Por fim quatro nomes que gostaria de ver melhor e por diferentes motivos: Gustavo Schneider e Igor Rodrigues porque não os conheço; Chris Willock porque lhe reconheço qualidade técnica muito acima da média e gostava de o ver noutro contexto e com mais maturidade; José Gomes porque me parece ainda cedo para desistir de um jogador tão diferenciado.
Benfica. José Gomes.
Péssima gestão de carreira. Haja fé! 

Os números finais:

Guarda redes (2):
Bruno Varela: Ajax (Holanda) - jogos - 90 minutos
Igor Rodrigues: Chaves (Portugal) - 14 jogos - 1260 minutos
Defesas (5):
Alex Pinto: Gil Vicente (Portugal) - jogos - 540 minutos
António Ribeiro: Académica (Portugal) - 14 jogos - 1175 minutos
Cristián Lema: Newell's Old Boys (Argentina) - 15 jogos - 1350 minutos - golos
Germán Conti: Atlas (México) - jogos - minutos
Pedro Pereira: Bristol City (Inglaterra) - 16 jogos - 982 minutos - golo
Médios (2):
Alfa Semedo: Nottingam Forest (Inglaterra) - 18 jogos - 892 minutos - golos
Filip Krovinovic: West Bromwich (Inglaterra) - 23 jogos - 1137 minutos - golo
Avançados (9):
Chris Willock: West Bromwich (Inglaterra) - 10 jogos - 849 minutos - golos
Diogo Gonçalves: Famalicão (Portugal)- 15 jogos - 875 minutos - golo
Facundo Ferreyra: Espanhol (Espanha) - 20 jogos - 1156 minutos - golos
Gustavo Schneider: Setúbal (Portugal) - jogos - 60 minutos
Heriberto Tavares: Boavista (Portugal) - 15 jogos - 925 minutos - golos
Jhonder Cádiz: Dijon (França) - 11 jogos - 734 minutos - golos
João Victor: Fafe (Portugal) - jogos - 261 minutos - golos
José Gomes: Portimonense (Portugal) - jogos - 680 minutos - golos
Óscar Benitez: Atlético San Luis (México) - 13 jogos - 878 minutos - golo

Nota: Alguns dos minutos somados são em equipas secundárias.

Abraço

terça-feira, 25 de julho de 2017


A prospecção internacional do Benfica

O que pode melhorar

Victor Lindelof
Victor Lindelof
O Benfica tem vindo a apostar em jovens promessas do futebol internacional, normalmente jogadores com potencial mas com valores de mercado muito diferenciados entre si.

A aposta consiste na valorização do futebolista retirando rendimento desportivo durante uma ou duas épocas, transferindo-o depois para os mercados mais endinheirados.

Pode-se dividir essas apostas em dois grupos: aqueles que implicam um investimento já substancial, em menor número; e outros onde o investimento é menor, estes já em grande quantidade.
No primeiro grupo encontramos jogadores como Di Maria, Gaitan ou Ramires; no segundo grupo temos os exemplos de Pawel Dawidowicz, Victor Lindelof ou John Murillo.

No segundo grupo o maior problema encontra-se na gestão da quantidade já que temos tido dezenas de jogadores cujo investimento ronda um/dois milhões de euros, totalizando uma quantia surpreendente quando se começa a fazer as contas de somar. Para contrabalançar, dessa quantidade surge um ou outro caso de qualidade que tem permitido "grandes negócios” para compensar os outros investimentos falhados.
Importa neste tipo de investimentos apertar cada vez mais a malha, na escolha dos jogadores.

Nico Gaitan
Nico Gaitan
No caso dos jogadores que envolvem um investimento mais avultado os riscos são outros e relacionam-se quase sempre com a capacidade de adaptação do atleta. Normalmente são jogadores vindos do mercado sul-americano, aos quais se têm juntado ultimamente atletas oriundos dos Balcãs.
Com estes jogadores importa muito o trabalho da estrutura na sua adaptação. É importante dar tempo ao tempo para que o atleta se integre e “trabalhar” os adeptos para que sejam pacientes de forma a não colocarem pressão extra em cima do jogador.

Por fim refiro-me a um outro tipo de aposta que tem sido feita nos últimos anos: jogadores muito jovens que implicam um investimento já considerável mas não apresentam ainda capacidades para fazer parte das opções regulares do treinador. Refiro-me a jogadores como Bryan Cristante, Luka Jovic  ou Chris Willock.
Bryan Cristante
Bryan Cristante
Neste caso o maior problema tem sido a gestão das expectativas do jogador. Normalmente de onde vêm são “os maiores da rua deles” e acham que vão chegar a um país pequeno onde vão continuar a ser os maiores. Tal não se coaduna com a realidade já que hoje em dia para fazer parte do núcleo duro do plantel do Benfica, é necessária muita qualidade.
Colocar estes jogadores a jogar com “motivação” na equipa B, até que se abra a porta da equipa A, é o grande objectivo a atingir. É preciso trabalhar muito a mentalidade destes jogadores para que se “sujeitem” a jogar em estádios muito mauzinhos, com meia dúzia de espectadores, fazendo-lhes ver que só assim chegarão ao topo.


Em jeito de conclusão; um critério mais apertado na selecção, um trabalho de integração e adaptação cada vez mais meticuloso e paciente, e uma gestão das expectativas do jogador clara e realista, parece-me ser a fórmula de sucesso.
Se nas duas primeiras penso que o Benfica se encontra os tais dez anos à frente da concorrência, já quanto à gestão das expectativas parece-me que há ainda espaço para melhorar.

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